domingo, 25 de dezembro de 2011

Sonata

Meu coração vai expulsando meu sangue para fora de meu corpo nu. Não posso evitar o exilio de alma ao meu corpo. A transformação do próprio satã desfazia-se em frações de piscar de olhos, daqueles tempos jamais passados.
Ei, você! Fique onde está, pensa que beberá goles deste vinho de bela safra sem mim? Onde foi parar meu cálice?
O soar inconfundível do piano invadia o recinto - que eu chamava de corpo -, as notas suaves iam perfurando o que eu chamava de pele, rasgando os músculos como se fosse um animal, triturava meus ossos sem hesitar.
O podre da carnificina - que eu poderia julgar ser da minha carne - adentrava em minhas narinas com função de alucinar minha mente devastada.
Vamos, pare o sangue! Não o deixe colorir a sanidade que pouco me resta. Pelo menos estou bela? Pelo menos estou bela para você? Tomara que a morte me deixe bonita...
O desgaste nítido dos meus olhos passados pelo tempo mostraram um cansaço sobrenatural que atuava como peso para meu corpo quase sem vida.
Perdi minha mente, meu mundo girou, caí em uma sonata desconcertante. Estava escuro, porém não chovia.
Meu corpo implorava por ajuda e suas mãos o tocavam como se fossem socorrer.
Me salve da minha própria escuridão. Costure esses pedaços do meu corpo que insistem em se separar. Limpe as feridas que teimam em marcar meu vulnerável corpo com mentiras.

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