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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Um tolo.

Caro Rapaz,


Talvez eu seja um tolo em guardar todas as nossas conversas, lembrar todos os momentos e simplesmente o fato de sentir saudades suas. Não sei ao certo, mas não pretendo seguir em um caminho que não sei onde posso parar, mas só preciso de uma palavra sua para continuar.
Pego algumas de nossas conversas escritas em pequenos pedaços de papel amassado. Suas letras se diferem da minha de forma simples. Leio novamente todas elas. O que ficou delas?Apenas uma pergunta. "O que você quer comigo?"
Não consigo interpretar suas intenções,adivinhar seu próximo movimento,saber o que você quer. Somente uma coisa eu tenho certeza agora.Te quero mais do que eu imaginava.




Não quero ser um tolo apaixonado,talvez seja melhor começar a fechar portas.Isso vai ser melhor para nós dois.




Acho que foi um erro tê-la aberta.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Traição.

Paris nunca era a mesma. E nunca seria. Eu amava aquele lugar mais do que qualquer outro e me doía saber que eu estava voltando para minha monótona e cruel realidade.
           
Comecei a reconhecer aquelas esquinas e os becos e o desespero tomou conta de mim. As viagens eram só uma desculpa pra me tirar daquela rotina. Na maioria das vezes funcionava, mas sempre tinha o sofrimento da volta.
           
Resolvi fechar os olhos e os abri novamente somente quando tive a certeza de que o táxi estaria parado no portão da minha casa. Era tudo exatamente como eu me lembrava: o mesmo portão com os cantos enferrujados, a mesmo gato dormindo na sombra da garagem, o mesmo tapete enrolado no batente da porta e o mesmo cheiro de verniz.
            
Fechei a porta com cuidado, pois ele poderia estar dormindo e eu não queria ter que vê-lo acordado assim que chegasse, e me virei. Virei-me e hesitei por uns segundos. Havia, misturado ao cheiro de costume, um novo aroma que aguçou minha imaginação e logo ativou minhas esperanças.
           
Eu sabia o que aquilo significava, mas eu tinha algumas coisas para fazer antes de encarar as conseqüências. Breves, mas tinha. Confirmar minhas suspeitas era a primeira. E não precisei ir muito longe para fazê-lo. Lá, jogadas no chão, estavam roupas femininas que eu, felizmente, não reconhecia como minhas.
          
Nem me dei ao trabalho de olhar pela fresta da porta e fui direto para o banheiro para pegar o que eu não tinha levado comigo durante minha viagem. Depois passei no closet checando se deixava ali alguma coisa essencial.
           
Já de volta na sala, peguei um post-it ao lado do telefone, uma caneta no meu bolso, grudei-o na porta e escrevi “Obrigada. N.” Peguei minhas malas, sai, deixei que o gato se esfregasse em minhas pernas, atravessei o jardim e depois passei pelo portão, fechando-o.
           
Coloquei meus óculos de sol, respirei fundo, sorri e, depois de muito tempo sem conseguir fazer isso, comecei a pensar em meu futuro.

Escrito por Hugo Perpetuo.

domingo, 8 de agosto de 2010

O indesejável sentir.

Eu senti um impulso elétrico no momento em que nossos olhos se encontraram.
Da mesma forma e hora eu senti uma alegria,calor e o medo.Principalmente o medo.
Aquele sorriso me impedia de pensar.Aquele olhar me impedia de dormir.
Um furacão louco de incertezas e sentimentos que antes eu nunca havia sequer provado agora esbanjava de uma forma tão crescente e exponencial que poderia ser comparado a uma tsunami,ou uma erupção.

Mas a grande pergunta que me rondava era:será que vale a pena?
quero dizer,tenho medo.Medo de sofrer.Acho que ninguém gosta de sofrer.
Então,todas as músicas de Legião urbana começaram a fazer algum sentido...na verdade,todos os sentidos.Eu não conseguia mais me mover,perdi a vontade de puxar conversa com outras garotas,de beija-las.
Tudo isso por causa dessa infeliz.Estou em xeque.

Eu tenho um monte de coisas para me preocupar e a única coisa que vem na minha mente é "eu preciso ver aquele sorriso de novo" ...tão de cheio de malicia.
Eu não era assim,nunca fui.Então por que isso?Esse sentimento cruel,desenfreado,louco?Eu não queria isso agora,aliás,não quero isso nunca!

Uma vontade desordenada...de punho até mesmo selvagem,de tê-la para mim.De beijar sua boca e acordar então com seu maravilhoso sorriso.
Um precisar sem precisar.
Uma insanidade sem o insano.
Um medo sem ter.
Arriscar,acima de tudo,mesmo que no final a tendência seja sofrer.
É hora do contra-xeque.

Me aguradem ;D