segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

mudanças

Toco nas paredes do quarto como se eles envelhecessem com o tempo, como se eles fossem ficando pequeno.

Talvez meu ninho esteja ficando pequeno mesmo para mim. Mas para onde irei? Não tenho casa, não tenho ninguém. Nada.

Malas arrumadas para um lugar que eu não saberia dizer. Passagens aereas para lugares que eu não conhecia. Será que estou indo acompanhada? Voo marcado como sentença de morte, por que parecia tudo tão triste?

Mudanças. Mudanças. Mudanças. Não gosto de mudanças. Parece que é assim, esse soneto de despedida clara mesmo que ainda não tão óbvia.

Cheguei ao aeroporto não sabia onde ir, não sabia para que ir. Estava desnorteada. Sem pressa, subi aos poucos no avião. Passageiros se arrumando em seus devidos assentos, crianças não sabendo o porquê de tudo isso. E o meu medo de voar ainda continuava intacto. Se eu tinha tanto medo assim de um lugar fora do chão, então por que eu comprei essa maldita passagem?

A chuva de perguntas não parecia cessar. O avião decolou. Dei uma cochilada rápida o suficiente para a aeromoça já me perguntar se eu queria água ou refrigerante. Mas minha senhora, será que não percebe o estado que eu cheguei? Será que não percebe que eu nem sei o que estou fazendo aqui? Era o que eu queria perguntar mas teimava em engolir. Aceitei uma água a contra-gosto.

Uma hora, duas horas... duas horas e meia de voo, e enfim desembarquei. Pessoas novas viajando para lugares com destinos feitos, familias, casais, amigos. Todos juntos. Desconhecidos que se entrelaçavam através de voos similares para lugares identicos, eu parecia sozinha, parecia perdida.

Esperei pela minha mala mesmo não querendo faze-lo, minha vontade era largar tudo e voltar para a minha casa, se é que eu ainda tinha uma casa, pelo tamanho da mala parecia que eu realmente iria me mudar.

Sai pelo portão de desembarque como se estivessem me abrindo um novo mundo.Tudo parecia tão novo... tão vivo. Tão...

Então a vi, ali, parada no meio da multidão, me aguardando ansiosamente. Foi ali que me lembrei para onde estava indo, a tristeza foi embora e um sorriso ia se abrindo aos poucos, meu novo lar, minha nova casa. Agora não parecia tudo tão solitário assim. Nos encaramos por um instante como se estivessemos tentando contruir nossa casa ali mesmo, era ela o meu lar. Me fiz em abraços apertados. Larguei minhas malas pelo chão frio do aeroporto, não queria larga-la.


Eu estava pronta para mudar.

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