quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Morte,doce morte.

Meu coração vai expulsando meu sangue para fora de meu corpo nu.Não posso evitar o exilo da alma ao corpo.A transformação do próprio Satã fazia-se e desfazia-se em frações de piscar de olhos.
Ei,você!Fique aonde está.Pensa que beberá goles deste vinho de bela safra sem mim?Onde foi parar meu cálice?
O soar inconfundivel do piano invadia o recinto que eu chamava de corpo,as notas suaves iam perfurando o que eu chamava de pele,rasgando os músculos como se fosse um animal e triturando meus frágeis ossos.
O podre da carnificina adentrava em minhas narinas com função de alucinar minha mente devastada.
Por Favor,pare o sangue!Não o deixe colorir a sanidade que pouco me resta.
Pelo menos estou bela?A morte deve me deixar bela...
O desgaste nitido dos meus olhos passados pelo tempo,mostraram um cansaço sobrenatural que atuava como um peso para meus ombros.

Perdi minha mente,meu mundo girou,caí em uma sonata desconcertante.Estava escuro,não chovia.
Meu corpo implorava por ajuda e suas mãos o tocavam como se fosse socorrer.Me salve da minha própria escuridão,costure esses pedaços do meu corpo que insistem em se separar.Limpe as feridas que teimam em marcar meu vulneravel corpo com mentiras.
Inflamavel liquido que derrama de meu cálice sobre minha garganta seca,faz-se fogo dentro de mim,queimando meus erros com chamas que até o diabo sentiria inveja.

Você gostaria de um ultimo gole ?

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