domingo, 25 de dezembro de 2011

Sonata

Meu coração vai expulsando meu sangue para fora de meu corpo nu. Não posso evitar o exilio de alma ao meu corpo. A transformação do próprio satã desfazia-se em frações de piscar de olhos, daqueles tempos jamais passados.
Ei, você! Fique onde está, pensa que beberá goles deste vinho de bela safra sem mim? Onde foi parar meu cálice?
O soar inconfundível do piano invadia o recinto - que eu chamava de corpo -, as notas suaves iam perfurando o que eu chamava de pele, rasgando os músculos como se fosse um animal, triturava meus ossos sem hesitar.
O podre da carnificina - que eu poderia julgar ser da minha carne - adentrava em minhas narinas com função de alucinar minha mente devastada.
Vamos, pare o sangue! Não o deixe colorir a sanidade que pouco me resta. Pelo menos estou bela? Pelo menos estou bela para você? Tomara que a morte me deixe bonita...
O desgaste nítido dos meus olhos passados pelo tempo mostraram um cansaço sobrenatural que atuava como peso para meu corpo quase sem vida.
Perdi minha mente, meu mundo girou, caí em uma sonata desconcertante. Estava escuro, porém não chovia.
Meu corpo implorava por ajuda e suas mãos o tocavam como se fossem socorrer.
Me salve da minha própria escuridão. Costure esses pedaços do meu corpo que insistem em se separar. Limpe as feridas que teimam em marcar meu vulnerável corpo com mentiras.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Capítulo 15 - Tudo parece normal

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Rebeca

                                   A garota fechou o livro de matemática, a aula parecia entediante como sempre. Ela olhou para a sua melhor amiga, como sempre estava babando pelo professor.  Rebeca olhou de volta ao seu caderno, no canto estava escrito: "O que foi que eu fiz?". Tudo ocorreu na sua casa, estavam fazendo um trabalho de casa. Sua dupla era o Bernardo, um garoto novato na escola . Tinha cabelos loiros e um sorriso grande. Talvez, por infortuno do destinos os dois acabaram se beijando. Rebeca por sua vez, já tinha um namorado. Bernardo era melhor amigo dele. A garota rabiscou alguma coisa e fechou o caderno, a aula tinha acabado.
                                  O corredor estava lotado de estudantes. A garota estava com a sua cabeça envolto em pensamentos, mal conseguir distinguir algum som ao seu redor. Uma garota de cabelos curtos e lábios rosados toca em seu braço, Rebeca esta perdida em seus pensamentos. Era ela, sua melhor amiga. Amanda. Novamente ela toca na sua amiga, Rebeca parecia nem notar a sua presença. "Rebeca!", chamou Amanda estalando os dedos na sua face. Aquilo soou como um despertador. A garota voltou por um momento ao mundo real, pode reconhecer os sons ao seu redor, notou que sua melhor amiga a chamava loucamente.

- O que a senhora estava pensando?
- Nada não, é... é essa matéria de matemática, ta me deixando louca. - Não era isso que Rebeca pensava, sua mente pairava naquele beijo com o Bernardo. Ela amava o seu namorado, mas como foi que aquilo aconteceu? Impossível dizer.
- Sei... Você nem presta muita atenção Rebeca, eu sou sua melhor amiga. Pode me contar o que quiser. - Amanda estendia o seu ombro amiga para ela, Rebeca sabia que podia contar com a amiga, mas ainda não estava pronta.
- Não sei se devo, ainda não estou pronta para contar. Sei que você vai em entender. - Sorriu para sua amiga, sabia que Amanda entenderia.
                                  
                                 As garotas chegaram em seus armários, Rebeca colocou alguns livros e pegou algumas roupas de ginastica. Amanda pegou um livro de capa azul intitulado "Historia" . A próxima aula de Rebeca era Educação Física, amanda teria historia no próximo horário. As meninas se despediram e marcaram de almoçarem juntas. Chegando na sala de Educação Física, Rebeca se depara com Bernardo. A garota se esquecera completamente que fazia esse horário com ele. Ela tinha evitado ele por uma semana, esquivando-se ou fugindo dele. Agora não tinha escapatória.

- Rebeca, precisamos conversar. - Sua voz era atraente, ela sabia disso. Porém não poderia ficar fugindo dele para sempre.
- Tudo bem, precisamos mesmo.
                                  
                              Bernardo puxou rebeca para um canto do corredor, onde os dois poderiam conversar a só. Rebeca estava pronta para falar, mas ele a cortou quando a menina abriu a boca.

- Sei que aquilo foi um erro, e não quero que aconteça novamente.
- Mas aconteceu Ber, estou confusa agora.
- Não fique. Finja que nada aconteceu entre nós. Que nunca nós beijamos - Ele disse sussurrando como se alguém pode- se ouvi-los naquele lugar. - Não queria que nada pudesse acabar com a nossa amizade.
- Tudo bem, vou tentar parar de ficar grilada com isso. E me desculpe por ficar evitando você durante esse tempo todo.
- Ah, isso. Nem tinha notado. Mas fica tranquila. Não vai se repetir.
                                
                             Rebeca abraçou ele, parecia que tudo tinha voltado ao normal. A professora pareceu notar a ausência dos dois, entrou no corredor. Ela parecia uma mulher de uns trinta e cinco anos, muito forte com veias em seus braços e com pouca feminilidade. pegou os dois pelo braço e os colocou de volta a uma sala de aula.