Andava meio triste como se visse o mundo com apenas uma cor cinza. Andava pelas esquinas atras do novo e tudo o que encontrava era concreto. Em busca do abstrato sentir, cruzava a cidade todas as noites mas tudo o que encontrava eram definições tortas e firmes no chão.
Um dia, cansado de tanta depeção e numeros frios, perambulou se rastejando na cidade onde não havia som nem poesia. Até dar de cara com um cachorro preto, branco e laranja. Surpreso por encontrar outro ser naquela cidade assombrada, primeiro temeu e depois, foi ao seu encontro. O cachorro apenas latiu e saiu correndo, foi seguindo por entre os becos, prédios e faixas de ciclistas. Correu e nao percebeu o coração batendo forte, correu sem sentir o cansaço das pernas, a noite virando dia. O cachorro latia, latia e quanto mais alto latia, mais parecia estar chegando onde queria. Foi entao que avistou um muro. Muro grande onde nao dava para ver o céu do outro lado, um muro concreto, frio onde se guardava as frustrações dos futuros suicidas. O cachorro parou em frente a uma porta grande que dizia "nao entre". Hesitante, ficou um tempo observando aquela rude companhia. Empurrou a porta com toda força do seu frágil ser. E foi entao que viu, se sentiu completo com tantas cores, com tantos passaros, com o ar fresco que ali passava, naquela floresta podíamos ouvir Drummond, Vinicius de moraes e Martha medeiros, podia ver paisagens de Frida Kahlo e Van Gogh, sentia, como se sentia ao terminar de ler uma poesia. Parecia que estava livre, tirou do peito aquele fio de prata que o prendia aquela cidade quadrada, correu até o céu e atravessou o mar feliz.
No plano terreno, uma pessoa morreu feliz por enxergar além do concreto frio.
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