quinta-feira, 10 de maio de 2012

Madrugada.


00:00

Minha mente só poderia ser caracterizada por uma palavra: confusão. Parecia que eu havia comprado uma passagem no tempo, no meu tempo, e pude visualizar todas as meninas que eu tinha ficado, quantas bocas beijei, quantos abraços dei, com quantas fui para cama e, principalmente, quanto dei atenção à elas. Acho que é uma daquelas épocas humanas que sua vida entra em colapso. É como se houvesse uma linha, pouco nitida mas tênue, que representava o equilibrio, E então alguém chegava e colocava o dedo nessa linha, afetando o equilibrio do corpo inteiro. Me via como uma marionete do espaço-tempo. E esse dedo nada mais é que uma mulher. Sempre é.
Não há tempo para reorganizar as ideias. Não tenho como perder tempo em meus objetivos por que meu campo sentimental está desequilibrado. Há uma mudança chegando, tem o emprego que não para de surgir novas papeladas. Estou ocupado demais para isso. Então por que o olhar daquela mulher não sai da minha mente?

03:00

Ainda não conseguia dormir. Aquele beijo, aquele abraço ainda está em mim e o cheiro dela está impregnado na roupa da ocasião. Em minhas mãos há um cartão, o cartão dela. Com certeza a insegurança bateu em minha porta por que a unica coisa que eu conseguia fazer com aquele cartão era observar. “Jessica Cardoso” em letras personalizadas mas que ainda mantinham o ar discreto que ela apresentava e embaixo havia seu numero, que aquela altura do campeonato eu já o havia decorado.


04:30

A insonia já me causava exaustidão, implorava para meu corpo dormir mas minha mente ainda estava à todo vapor. Levantei da cama e fui em busca de um copo com água, era o melhor que eu poderia fazer esta noite. Na escuridão do pequeno apartamento somente a luz da geladeira iluminava o ambiente, não sei se é por que andei pensando demais sobre meu tempo cronológico com mulheres ou se realmente tinha esse ar, mas o ambiente dava uma sensação de solidão. Acho que estou começando a ficar louco. Esqueça essa maldita mulher!

05:30

Sentei-me no sofá afim de distrair minha mente, liguei a TV e estava passando um daqueles cartoons da madrugada. Aos poucos não percebia mais se era o mesmo desenho ou um diferente, estava pensando no toque dela, no beijo, na conversa. Porra. Já havia preparado um sanduiche e desistido de tentar dormir, já não me restava mais nada além de ficar com minhas lembranças e curtir a insanidade que havia começado. Por que sempre que minha vida está tranquila aparece uma mulher para me desestabilizar? Putz, não posso passar 6 meses sem ter nenhum tipo de confusão. Resmunguei um “mulheres”.

06:00

Estava na minha varanda, sentado em uma cadeira coberto por uma manta enquanto tomava um café, definitivamente tinha desistido de dormir ou de tentar pensar em outra coisa. O sol já estava aparecendo no horizonte e eu me perguntando o que meu falecido pai diria. Nada veio em minha mente. A cada gole de café vinha lembranças, dolorosas lembranças. Mais precisamente quantas vezes eu me apaixonei por uma mulher e tive meu coração partido. Ou quantas vezes mulheres se apaixonaram por mim e tiveram seus corações partidos. É verdadeiro então em que corremos em círculos. Uma hora você é a caça, na outra, o caçador. E naquele momento eu me sentia a caça. Vulneravel, acuado, paranóico. Já estava dando a hora de me arrumar para o trabalho mas não conseguia mover um dedo, meu olhar havia se perdido naquele horizonte meio laranja-amarelo à espera que o sol pudesse me dar uma resposta.


08:00

Apesar de não ter dormido não estava cansado. Parecia até que havia sido curado de alguma coisa dentro de mim. Estava animado, apesar de tudo. À caminho do trabalho estava pensando em quantas chances teria de ve-la novamente, por ação do Acaso. Mesmo sendo péssimo em matemática, não precisava ser um genio para saber que as chances de me encontrar com ela por força do Acaso eram minimas. Olhei para o cartão novamente. Fui levado por uma onda de insegurança e covardia. Virei-me para encarar o sinal vermelho afim de esquecer essa ideia maluca de ligar para ela ou qualquer coisa parecida. Impaciente. Mau-humorado. Ansioso. Ela era uma mulher maravilhosa, tivemos bons momentos, então por que diabos não consigo ligar para ela? Homem velho acostumado com velhos hábitos, as mulheres sempre foram atras de mim, essa é diferente. Ser humano em qualquer idade tem que mudar seus hábitos. Criar um novo círculo. Tornei a olhar o cartão que estava em cima do banco do passageiro. Ontem foi caça, hoje é caçador.

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