sexta-feira, 17 de junho de 2011

Quando olho para o nada...

-O corredor das minhas lembranças-


Me encontro encostada na parede do meu quarto, abraçando os meus joelhos novamente. Estava com os fones de ouvido no volume maxímo, a janela estava aberta e o meu olhar vagava pelo nada. Era assim que eu entrava no meu subconsciente, assim que faço para achar as mais loucas historias ou os mais loucos contos.


Esse é o único lugar, onde a minha mente vaga sem limites. Onde eu vou quando estou neste estado? Vago insanamente em um corredor cheio de portas, suas paredes são de tijolos a vista. Não da cor normal, mas um pouco sujos com o tempo. Suas portas são todas de madeiras, da cor branca. Todas elas tem uma identificação. Onde posso abri-las e ver as minhas lembranças ou simplesmente criar novas. Porém esse corredor do meu subconsciente é mal iluminado. Li uma vez que isso significa as incertezas da minha mente. Não tenho a convicção que seja verdadeiro, mas acredito que seja verdade. Porque isso faz um pouco de sentido na minha vida.


Me aproximei da primeira porta, na identificação tinha escrito em letras cursivas negras :" 11 meses". Toquei na maçaneta fria e girei-a devagar. O click da porta se abrindo era bem audível, empurrei-a. Nesse instante poderia ver  exatamente um quarto de criança. Uma mulher jovem de boca avermelhada sentada em uma poltrona aninhando uma criança de colo, ela tinha o sorriso mais lindo que eu tinha visto na minha vida, ele exalava  felicidade. Não sei ao certo, mas meu coração batia mais forte, eu sabia que era ela. Ela olhava para aquele rostinho pequenino, me parecia que nada poderia abalar aquele sorriso, era pura felicidade. Eu estava encostada no portal da porta, ela nem sentia a minha presença. Eu era invisível aos seus olhos. Nada do que eu fizesse poderia distrai-la. Surgiu um grande sorriso na minha face, por um instante me toquei que aquela era minha mãe e aquela criança era eu. Acho essa a perfeita recordação que eu terei dela.


Fechei essa porta, segui adiante no corredor, andei por um tempo. Dava para perceber a lógica das identificações nas portas. Parecia estar em ordem decrescente. Abri outra porta, instantaneamente foi sugada pela porta. Me agarrei com tudo no portal da porta. Droga, porque eu não li o que estava escrito na porta? A minha visão estava sendo bloqueada por uma especie de neblina, calma ai, as minhas roupas levemente tornavam-se molhadas. Não era uma simples neblina, na verdade olhando direito, estou a mais de sete mil metros de altura. Meu Deus, como isso é possível? Onde estou tudo é possível, é a minha mente, o meu subconsciente. Ah lembrei, esta porta é a do meu primeiro pulo de paraquedas. Forcei um pouco para tentar voltar para o corredor, um vulto preto cortou  a nuvem caindo a uma velocidade surpreendente. Levei um susto, mas sabia que era eu. Forcei um pouco mais, pude voltar para o corredor e fechar a porta.


Nunca tinha andado tanto por esse corredor, a luz na minha frente começou a falhar, um pouco depois apagou completante. Continuei a andar, minhas mãos contra a parede.O corredor parecia ter acabado, esbarrei em uma porta. Mas o que me surpreendeu não foi o que estava escrito nela, não poderia ver nada, foi o som de correntes que a envolvia. Tate-ei a porta, pude contar no minimo sete corrente com enormes cadeados. Essa não era uma porta comum, tinha um relevo diferente, um aroma diferente, uma identificação diferente. Deslizei meus dedos sobre a porta, senti uns sulcos nelas, como entalhes. Segui o formato dele, era um formato de coração, mas não era todo. Era somente as bordas. Dentro tinha umas letras, onde deveria ser  a sua identificação. Contornei os entalhes dentro do coração, formava um letra. A primeira letra era o  "J". Depois a letra "U". E assim "L". "I". E finalmente a ultima letra"O".


Eu sussurrava enquanto contornava as letras - "J" "U" "L" "I" "O". Julio? Mas eu não lembro de ninguém que se chama Julio. Ou será...


TUM... A escuridão rapidamente foi se clareando, o som das corrente foi se tornando o som que saia dos meus fones de ouvidos, em um piscar de olhos eu estava novamente encostada na parede abraçando os meus joelhos e com algumas perguntas na minha cabeça. Quem será esse "Julio"? Porque todas as correntes? Quando vou te conhecer?


Eu preciso saber mais.

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