domingo, 3 de abril de 2011

Lágrimas e Chuva


Era praticamente perfeito, a chuva caia lá fora enquanto eu estava  esperando ele voltar. Eu observava as gostas de chuva cairem pela janela e escorrem ate pingarem no chão molhado do lado de fora. Minha paixão pelo Kid Abelha, me fez por um leve segundo lembrar de uma das minhas preferidas músicas. Onde o meu pensamento se fez  e junto com a cada gota da chuva, me fa pensar em como aquilo descrevia tanto a nossa relação.

A minha respiração estava deixando a janela embaçada. Limpei-a com a manga da minha blusa de frio que ele tinha me emprestado. A porta do quarto estava fechada. A nossa cama ainda estava desarrumada. Nem acreditava no que tinha acontecido naquela noite. Dei um sorriso meio bobo, mas sabia que era verdade. 

Sim, por mais que eu quisesse que fosse verdade a minha mente viajou.  Tentando buscar algum momento ou até uma cena que me lembre de tudo. Novamente aquele sorriso bobo veio ao meu rosto e eu pude então, relembrar de tudo, enquanto a chuva caia lá fora. Eu viajava nos meus pensamentos e com as pernas entre as minhas mãos pude então ficar a mercê da lembrança de suas palavras, repetidas ao um pequeno raio de luz. Ouvi a maçaneta da porta girar, lentamente ela se abria. Era ele. Sem perceber eu o olhava de baixo para cima. Ele estava descalço, usando apenas uma calça de moleton cinza. Não vestia uma  blusa, seu corpo era definido e moreno. Sabe aquele moreno queimado de sol? Era esse moreno. Seu rosto não tinha uma presença de pelos. Nas mãos, carrega duas canecas. Ele sorriu quando me viu. 

Era o sorriso mais lindo que eu tinha visto na minha vida. Eu, meio bobo, e não acreditando naquela cena, cheguei um pouco pro lado. Cobri as minhas mãos com a blusa de frio que estava vestido apenas e sorri. Um sorriso pequeno, porém, o mais sincero que eu já dera um dia. Houve uma reciprocidade no sorriso,e sim, eu pude ter absoluta certeza no que havia acontecido ontem. Ele chegou perto de mim, passou a mão no meu cabelo ainda bagunçado, me deu um beijo no rosto, e disse perto do meu ouvido:

- Bom dia! - Aquelas duas pequenas palavras entraram no meu ouvido, aquecendo de um modo, em que nunca senti antes, por mais coberto estivesse.

Ele me entregou umas das canecas. Era café. Estava esfumaçando de tão quente. Assoprava-o para poder esfriar um pouco. Olhava de vez em quando para ele, enquanto tomava alguns goles. Ele era lindo daquele jeito, tão natural e  protetor. Coloquei a minha caneca no chão. Ele olhou para mim.

Olhava ainda para o fundo da caneca, estava de um jeito desconfortável. Não queria que os meus olhos cruzassem com o dele, e então ele pegou na minha mão - quente, por sinal - e começou a afagar junto a minha, e com simplesmente um toque na minha pele ainda fria, olhei diretamente para os seus braços, morenos, que exalava uma sensação de proteção. Fui subindo pelos braços, pelo seu ombro, e meus olhos então encontraram com os seus olhos numa tênua sensação de alegria, ao revê-los novamente.

Seus labios finos e rosados encontraram com os meus. Uma subita sensação preenchia o meu corpo. Não sei identificar direito, mas tinha uma noção do que era. Era amor. É impossivel descrever, nunca tinha sentido aquilo antes. A sensação se alastrava por todo o meu corpo. Minha mente gravava aquele momento. 


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Esse post foi escrito por mim e por um amigo.


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