FELIPE
Suas chamas dançavam freneticamente naquela noite, onde a luz do luar despertava uma sensação singular. Coloquei mais uma salsicha espetada em um graveto em meio as chamas, enquanto me ajeitava sobre o meu colchonete. Não tinha mais ninguém, apenas eu. Poderia dizer que estava tudo bem, porem não estava. Sentia-me sozinho, complemente despedaçado.
Lágrimas escorriam pela minha face, soluços vinham com enorme facilidade. Sentia uma dor no peito, com se ele estivesse aberto e insetos circulassem dentro dele. Lembrar do que aconteceu apenas fazia a dor aumentar. Tive uma ideia nessa manhã. Peguei um colchonete, algumas tralhas de acampamento e entrei no meio da floresta. Precisava de um lugar onde ninguém pudesse me ver chorrando ou ao menos nessas condições. Agora, quando a noite estaria no seu ápice a luz da fogueira banhava a minha tristeza eu poderia dizer que o tempo ajeitaria as coisas se acalmarem, mas não tinha certeza.
Um aroma? Talvez, na verdade um cheiro de queimado entrava por minhas narinas fazendo o rio de lagrimas pararem quase que instantaneamente. Minha salsicha virou carvão, retirei o graveto de perto do fogo e joguei o mais longe possível. Os soluços pareciam ter sumido, uma luz em meio as cobertas do meu colchonete chamavam a minha atenção. Era o meu celular, ele estava no silencioso. Era outra ligação. Não era da minha família ou de nenhum dos meus amigos. Era ele. Aquele que um dia me fez tão feliz e que hoje faz o meu peito doer todas as vezes que tento respirar. Rejeitei. Com essa ligação, eram no total de quarenta e duas. Coloquei-o de lado, deitei e sem perceber estava dormindo.
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