segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A dama, o valete e o tempo


A dama foi envenenada e nada se pode fazer,
não foi minha, não foi sua, culpa de quem?

Nao soube guiar seu destino, se deixou levar pelos ventos que apontavam um norte que não existia. Em palavras sussurradas em um quarto mal iluminado recitava que apenas o amor pode salvar uma vida. Ironico é, que horas depois, a dama havia morrido e a tal salvacao não aconteceu. Ofereceram o cálice com a promessa de que um mundo novo ela iria ver. Agora a dama só encara o vazio e o silencio de uma eternidade escolhida por ela mesma.
A mulher nobre não teria chegado a esse ponto se ao menos tivessem avisado a ela que a sinceridade já era o suficiente, menina ambiciosa não se contentou com a felicidade e com a falsa verdade alucinou. O vinho, seco como o coração de quem bebe, foi aberto por maos amigas que riam de piadas mal vistas e jogavam o liquido preto e corpulento como se fosse uma aventura inedita. “é um barato novo, você vai gostar” diziam. A fuga da realidade nunca foi tao almejada pelos cegos bardos que ali viviam.
E você, Valete, que tanto perdeu seu tempo olhando seus próprios jardins, o que queres tanto com um cadaver apodrecido? O que tem de tao belo em um amor tao funesto? Por acaso achas que salvará tua rainha? Ela não comeu uma macã envenenada, ela é que estava podre e não é com um beijo que voltará a vida. O tempo foi o ajudante daqueles que não tinham boas intencoes, o relógio não parou depois da meia-noite e nenhum sapato de cristal foi encontrado. O conto de fadas acabou.

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