A dama foi envenenada e
nada se pode fazer,
não foi minha, não foi
sua, culpa de quem?
Nao soube guiar seu
destino, se deixou levar pelos ventos que apontavam um norte que não
existia. Em palavras sussurradas em um quarto mal iluminado recitava
que apenas o amor pode salvar uma vida. Ironico é, que horas depois,
a dama havia morrido e a tal salvacao não aconteceu. Ofereceram o
cálice com a promessa de que um mundo novo ela iria ver. Agora a
dama só encara o vazio e o silencio de uma eternidade escolhida por
ela mesma.
A mulher nobre não
teria chegado a esse ponto se ao menos tivessem avisado a ela que a
sinceridade já era o suficiente, menina ambiciosa não se contentou
com a felicidade e com a falsa verdade alucinou. O vinho, seco como o
coração de quem bebe, foi aberto por maos amigas que riam de piadas
mal vistas e jogavam o liquido preto e corpulento como se fosse uma
aventura inedita. “é um barato novo, você vai gostar” diziam. A
fuga da realidade nunca foi tao almejada pelos cegos bardos que ali
viviam.
E você, Valete, que
tanto perdeu seu tempo olhando seus próprios jardins, o que queres
tanto com um cadaver apodrecido? O que tem de tao belo em um amor tao
funesto? Por acaso achas que salvará tua rainha? Ela não comeu uma
macã envenenada, ela é que estava podre e não é com um beijo que
voltará a vida. O tempo foi o ajudante daqueles que não tinham boas
intencoes, o relógio não parou depois da meia-noite e nenhum sapato
de cristal foi encontrado. O conto de fadas acabou.
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