" As canções dos mortos são os lamentos dos vivos."
Pensou assim Lucas, retirando mais um cadáver desfigurado do seu caminho. Enquanto caminhava ouvia o clamor de esposas que carregavam os seus amados do solo de batalha sangrento e lamacento. A lâmina de sua espada pingava sangue, sangue de inocentes. Seu trabalho estava feito, por enquanto. O céu negro demonstrava sua tristeza com incessantes relâmpagos. Derramando devagar pingos de chuva gelada que dissipava o cheiro de sangue fresco de batalha. "Será que o que fiz foi o certo?"
No céu negro uma pequena mancha azul celeste se realçava." Não se sabe pequenino, somente o destino dirá!". A mancha azul celeste começava a tomar forma a medida que se aproximava do jovem rapaz. Grandes asas azuis, garras e escamas. Era maior do que uma casa comum, aquele dragão ainda era um filhote. Seu pouso foi leve e suave, nunca uma animal desse porte tinha tanta delicadeza. Estendeu seu enorme pescoço para o rapaz, ele abraçou sua cabeça.Sua espada caiu no chão com um som abafado pelo terreno molhado. " Talvez você esteja certa, Esmer. Somente o destino nós dira, tenho medo do que pode acontecer no futuro." Era possível distinguir as lágrimas do rapaz da chuva. Lucas podia sentir os ferimentos de guerra antes ignorados pela adrenalina, tomarem o ápice da dor em seu corpo mortal. "Não se preocupe pequenino, estarei contigo onde quer que você vá."
Apesar do medo Lucas tinha certeza que Esmer estaria ao seu lado. Abraçou-a o mais forte possível." Não se esqueça, nós ganhamos apenas uma batalha. O pior ainda estar por vir." Ele soltou a cabeça do dragão, apanhou sua espada e colocou-a na bainha. A quantidade de cadáveres no chão era enorme. Lucas continuava andando entre eles e, de vez em quando, reconhecendo alguns companheiros de batalha." Não sei se eu consigo Esmer, todas essas pessoas acreditaram em mim e agora estão mortas."
- Messi, Não!
Uma pequena menina de cabelos negros lisos, corre em direção do rapaz. Suas lágrimas mancham o seu rosto, limpando a sujeira que ficou coberta em sua face. Sua mãe tenta pega-la, mas tudo é invão. A garota agarra a perna do Cavaleiro, seu soluços eram muito audível. A mãe se contem, talvez um grande medo ou inestimável respeito. Ele solta a garota e se mantém do seu tamanho, agachando e olhando a garota nos olhos. " Esmer, vejo nos olhos dessa garota a dor que ela sente. É tão profundo." Ele limpou as lágrimas dela, sua pele era parda através de toda a sujeira.
- Senhor, - Sua voz trêmula sobre soluços, suas mãos tocavam suavemente o rosto do rapaz - Pode me fazer um favor?
- Talvez.
- Traga o meu pai de volta?
- Não posso. Ele foi... Um bravo guerreiro. Tenho orgulho dele.
- Então faça essa guerra parar, por favor?
- Vou tentar.
- Eu acredito em você.
"Acreditamos em você, Cavaleiro de Dragões."
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